Perfil do Investidor: Iniciante na Bolsa
Categorias: Investidor Online
Palavras-chave: Alessandro Martins, entrevista, iniciante na bolsa
O autor que terá seu perfil exposto em entrevista dessa vez é o Alessandro Martins, responsável pelo blog Iniciante na Bolsa. Ainda não cheguei a recomendar, nem fazer uma resenha sobre esse blog, mas o acompanho a muito tempo devido seu conteúdo altamente didático, no entanto o Alessandro tem andado afastado da bolsa nos últimos tempos e colocado poucos artigos autorais.
Mesmo ocupado ele conseguiu um tempinho para responder minhas perguntas sobre a experiência e perfil dele como investidor na bolsa e antenado a informações na web.
1) Nome e Idade
Alessandro Martins, 36 anos.
2) A quanto tempo investe em ações?
Desde que abri o blog. Um pouco antes. Junho de 2007. Depois que meu amigo Marco Carvalho, do blog Como Comprar Meias, falou sobre Bolsa de Valores, tive esse impulso. Lembro que eu e minha namorada chegamos a ir a uma agência do Banco do Brasil tentar comprar ações. Falamos com o gerente que não deve ter entendido nada.
3) Possui formação acadêmica ligada a área? Trabalha na área ou é “leigo”?
Não tenho nenhuma formação acadêmica ligada à economia. Mas não sei se existe alguma formação acadêmica – do ponto de vista formal (universidade, faculdade, etc) que, atualmente, possa lhe dar autonomia para investir com mais ou menos qualidade. Muitos dos investidores com notório saber prático em Bolsa de Valores não tem ligação com cadeiras econômicas.
4) Como começou a se interessar e dar os primeiros passos para se tornar investidor (indicação de amigos, gerente do banco ou alguma leitura, etc…)
Como disse, foi o meu amigo Marco Carvalho, do blog Como Comprar Meias. Ele soube que eu e a Júlia, minha namorada, iríamos guardar certa quantidade de dinheiro por mês na Poupança. E então disse que havia alternativas mais rentáveis e que, apesar de não parecer, eram acessíveis a nós, meros mortais sem cifras gigantescas na conta bancária.
5) Já tomou alguma decisão que lhe causou prejuízo em investimentos por falta de estudo ou má influencia? (Não necessariamente em ações, pode ser um imóvel que não se valorizou ou qualquer outra coisa).
Sim, assim como boa parte dos novatos na bolsa a crise de outubro do ano passado me pegou em certa medida desprevinido. O prejuízo só não foi absoluto porque eu já tinha realizado lucros em outros momentos e, se fosse pra fazer a conta, fiquei ainda em vantagem. Boa parte do meu dinheiro já estava em títulos públicos na ocasião, mas ainda havia algumas ações que decidi vender realizando algum prejuízo. Do ponto de vista desses ativos, e não do todo, realizei prejuízo de fato.
6) Em seu blog você escreve tanto sobre análise técnica como fundamentalista. O que você acha sobre as visões extremista que alguns investidores possuem de que ambas não possam se misturar?
Dizem que não é bom misturar as duas análises principalmente se elas conduzirem a conclusões diferentes. Faz sentido. Isso pode mais confundir que ajudar na hora de avaliar os resultados (bons ou maus). Mas há uma vertente interessante que diz: use a fundamentalista para decidir que ação comprar (ou vender) e a técnica para saber quando fazer isso.
7) Na sua opinião quais pontos benéficos e prejudiciais que a tecnologia (em especial a internet) trouxe para os investidores?
Eu só vejo benefícios, em uma primeira olhada: democratização, independência em certa medida (home brokers não permitem que se façam todo tipo de operações), possibilidade de investir a partir de sua casa. Em uma segunda olhada, isso pode dar a ilusão de que qualquer um pode viver apenas de bolsa, o dia inteiro ligado ao home broker. Isso não é para qualquer um. Para a maioria das pessoas é bem chato. Sem falar que não é fácil obter lucros suficientes a partir de seu próprio capital para viver apenas de bolsa.
Além de livros, que outros materiais de qualquer tipo (cursos, sites, jogos, etc) você recomendaria para pessoas que estão começando a investir?
Há diversos blogs bons e fóruns atualmente. Claro que o material deve ser filtrado. Para isso, evite os tons alarmistas ou eufóricos. Com um pouco de experiência você consegue perceber o discurso do maluco – do manso e do de amarrar. Também é bom brincar um pouco em simuladores, há três ou quatro na internet, todos muito interessantes… mas o principal é conversar pessoalmente com alguém que já tenha passado por uma crise como a do ano passado e pedir para que ela compartilhe suas experiências econômicas e emocionais inclusive.